segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Capítulo 5 - Pra cima e pra baixo

Fala galera.

Pra começar, desculpas. Dificil ter tempo e/ou inspiração para ficar atualizando isso daqui semanalmente ! hehehe Vai ser atualizado conforme for dando... mas vou sempre avisar no MSN. Ahh, e não esqueçam de ler as seções à esquerda do blog pois também são atualizadas !!

Acho que ainda não falei do transporte, né? Há vários aspectos para se discutir. Primeiro, não estou em Londres, onde há uma rede muito capilarizada de metrô e também uma boa rede de onibus. Como não vivo lá todos os dias, não posso dizer muito mais do que isso.

Pelas cidades pequenas em geral, é mais comum o pessoal usar carro. Mas antes de imaginar o jeito norte-americano de ser (nas cidades "car-based" vc nem vê ninguem na rua andando! É carro pra ir na loja que fica no proximo quarteirão!), saiba que aqui a galera anda bastante. É comum dizer que algo fica a "walking distance"... mas aí vc anda, anda, anda, 20 min se passaram e vc ainda não chegou no destino ! Walking distance é o *$&$@ !! uahahahaha

Em "Reading" especificamente que é onde estou morando, há uma rede de onibus muito boa. Vou tentar enumerar as coisas q chamam atenção:

1 - Nada de um MONTE de onibus pra cima e pra baixo atrapalhando o transito. Aliás, aqui todo o mundo dirige de forma bem mais civilizada;
2 - Nada de mais de uma linha de onibus fazendo o mesmo trajeto! Vc já percebeu a quantidade de onibus que existem no Rio de Janeiro para ir do Centro à Copacabana ?! Muitos passando por praticamente as mesmas ruas e parando nos mesmos pontos. Eu acho isso completamente ineficiente ! Aqui não acontece. Impossível 2 ônibus parando no mesmo ponto ao mesmo tempo, nem aquela coisa chata de "ihhh, meu onibus passou direto!".
3 - Onibus de 2 andares é o mais comum;
4 - A entrada do onibus fica no mesmo nível de altura da calçada. E se não está no mesmo nível, o onibus tem suspensão inteligente, que "desce e sobe" o onibus conforme a necessidade;
5 - Sem escadas para entrar e com espaço especial para cadeira de rodas ou carrinho de criança. Aqui é extremamente comum as mães pra cima e pra baixo empurrando carrinho de criança. Primeiro que as calçadas estão livres (sem carro estacionado), sem buracos e com rampas para atravessar a rua. E depois pq o onibus parece feito para elas ! As mães e bebês entram e saem dos onibus sem dificuldade alguma e sem precisar de fechar o carrinho ou de ajuda.
6 - Não tem como se perder. No ponto de onibus tem o mapa da cidade com o trajeto das linhas e a tabela de horários, que é preciso (09:37, 15:43, 16:11...) e claro que pode atrasar um pouco de vez em quando (transito é transito: imprevisível), mas em geral pode contar que vai chegar no minuto correto.

E o trem ? Excelente também. De Reading para o centro de Londres são 40 milhas (64 Km) que vc faz em 30 min. Os horários também são bem definidos (aliás, o q identifica cada trem é o horário) e em geral é pontual. Quando vai atrasar, sempre é avisado ! "The 15:32 to London Paddington is expected at 15:34. We apologize for the delay". hehehehe desculpas por 2 min de atraso ! ;-)

Trem London - Reading.

Também não podemos esquecer das bicicletas, que aqui também estão em grande número. Vale muito à pena rodar a cidade de bicicleta (pelo menos fora do inverno). Sem contar a galera que vai de uma cidade à outra de bicicleta, da seguinte forma : bicicleta de casa ao centro da cidade; bicicleta dentro do trem (que em alguns vagões tem espaço reservado para elas); bicicleta da estação da cidade de destino até o trabalho/escola/faculdade.

Tudo isso explica o quanto o pessoal por aqui é mais "desvinculado" com determinada cidade ou bairro. Digo, explica pq as pessoas se mudam ou "comutam" com frequencia de uma cidade à outra. Estudar em Oxford e passar o fim de semana com a família em Londres é algo muito comum. Aliás, é praticamente impossível vc estar na estação de trem e não ver várias pessoas com malas de viagem.

A unica desvantagem é que isso tudo tem um preço... ALTO ! Ir de Reading a Londres no horário de rush custa 28 libras (ida e volta). Convertendo ficam absurdos 120-130 reais. E tem gente q faz isso todo dia! Claro que há tickets para o mes todo e/ou ano todo, que barateia bastante, mas ainda assim é caro (mesmo para quem vive aqui e ganha em libras). Já no fim de semana, dá para ir de Reading a Londres e rodar pro todo o transporte de Londres (entra e sai quantas vezes quiser de qq estação de metro ou de onibus) e voltar pra Reading por 15 libras. Nada mal...

Aliás, esse papo de caro ou barato é interessante. Será o tema central de um dos próximos capítulos certamente. E aí vamos ver se aqui é absurdamente mais caro de se viver mesmo ou não. ;-)

Abraços.
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sábado, 15 de setembro de 2007

Capítulo 4 - Dirigindo do lado errado

Galera, primeiro desculpas pela demora em atualizar o blog. Nas ultimas semanas finalmente me mudei para o apartamento que aluguei, tive muitas coisas para fazer e comprar. Para completar até agora ainda tô sem banda larga em casa; droga de British Telecom. Tão "eficiente" quanto a Telemar !!

Mas comprei meu carro !!!! Ôba ! E aqui estou dirigindo um "right-handed". Antes de começar a dirigir é preocupante : vc sempre acha que vai fazer algo errado. Mas depois que começa a dirigir, é moleza. Vamos aos desafios :

1 - Passar marcha com a esquerda. MOLEZA, principalmente para um canhoto. Em menos de 10 min eu já estava acostumado, e não lembro de em momento algum dar cotovelada na porta, naquele impulso de procurar o cambio na direita ! (risos)

2 - Se manter do lado esquerdo da pista. Não é dificil, principalmente pq tudo é muito bem sinalizado. Quando vc sai de uma rua para outra, geralmente vc dá de cara com uma seta no meio da pista apontando para a esquerda. Meio dificil de entrar na contra-mão. Mas é bom ficar ligado, claro.

3 - Noção espacial. Foi o mais difícil de se acostumar... Por estar sentado na direita, vc passa a ter "muito carro" à sua esquerda. É meio chato. No início vc sempre acha que vai pegar o meio-fio ou bater em um carro estacionado...

Ahh, as pessoas por aqui também dirigem de forma muito mais tranquila. Nada de motorista jogando o onibus pra cima de vc, nem taxista maluco, muito menos um monte de motos passando entre os carros. Tudo isso facilita muito. Aliás, moto aqui só de primeira, e com os motoqueiros 100% vestidos para a "ocasião". Às vezes parece q vc está vendo motos da MotoGP na rua...

O fato é que após alguns dias vc já está dirigindo confortavelmente, acostumado com o caminho (claro que com um "Sat. Nav", vulgo GPS, fica mais fácil. Muita gente tem, e claro q comprei um tb !!), com o trânsito e com o carro. Mas lógico, quando estou parado no sinal sem ninguém a frente, o sinal abre e vc entra na próxima rua, de tempos em tempos vc pensa : "putz ... será q tô na contramão ?!?!?!"
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segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Notting Hill Carnival - 27/08/2007


A galera dançando ao som de... ao som de... KCETE ! Que musica é essa ?! uahhahaha


Legal que neste carnaval deles, rola um monte de blocos diferentes, e também muitos palcos armados com som diferente. Vi muitos jamaicanos e musica do Caribe em geral, mas rola de tudo. Do Brasa, vi uma galera jogando capoeira e também a apresentação do "Paraíso School of Samba". Com direito a mulata semi-nua em carro alegórico e tudo ! ;-)




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domingo, 26 de agosto de 2007

Capitulo 3 - BBQ

Em um sábado de sol, fui convidado por um amigo do trabalho (britânico ! mais uma vez quebrando a expectativa do "gelo" inglês) para ir à casa dele almoçar. Ele mora em um lugar um pouco mais rural (termo q eles usam), mas é só um lugar um pouco mais afastado do centro da cidade; seria uma "Vargem Grande" talvez (eu e minhas comparações ! risos). E lá fui eu, claro.

Tive portanto a oportunidade de conhecer a casa dele, conhecer parte da familia e de experimentar um típico churrasco britanico (ou americano... acho que são iguais). Nada mal! Hamburger, frango e a clássica "sausage" (que ninguém sabe dizer se é salsicha, linguiça ou os dois), acompanhados de pão e salada (bem... isso não deve ter nos States). Também teve uma bebida (doce à vera) tipica deles que não me lembro o nome, e um sorvete caseiro de sobremesa. Por fim, eles ainda me levaram para conhecer as redondezas da cidade : bastante natureza.

No sábado seguinte, também de sol (pra quem achava que não o veria mais, ele até que aparece com "certa" frequencia por aqui no Verão), fui convidado para outro churrasco, desta vez da galera brasileira que mora por essas bandas a oeste de Londres (Maidenhead, Slough, Bracknell, Reading...).

Esses brasileiros são todos família (a maioria a mais de 5 anos por aqui, casados, com filhos...) e muito gente boa. Como bons "cidadãos mundiais", também são bem misturados: é brasileira casado com portugues, baiana com italiano, descendente de japones se misturando em Curitiba e vivendo aqui... Para este churrasco, conseguiram inclusive comprar Picanha brasileira (ao menos foi o que venderam pra eles ! hehe), para "abrasileirar" um pouco mais a coisa (risos). Isso transformou o nosso churrasco em algo inimaginável e luxuoso para os vizinhos britanicos que sentiam o cheiro da picanha (será q era mesmo ?!), já que aqui não é comum comer tanta carne de uma vez só. Um dos motivos é certamente o preço!

Enfim, nada mal fazer churrasco no quintal e aproveitar a rara tarde de sol inglesa. Logicamente não se compara à churrascada com pagode e piscina do Brasa, mas quebra o galho ! :-)
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quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Capitulo 2 - Nada como uma semana após a outra

Uma semana se passou e já dá para se sentir mais em casa. Para começar, acho q só agora coloquei o sono em dia e me acostumei com o novo fuso-horário. Além disso, já estou mais à vontade no trabalho e, entre as várias coisas que são diferentes do que se espera antes de vir, as pessoas no trabalho são legais: me sinto como se estivesse começando em qualquer escritorio no Rio de Janeiro. As pessoas conversam, brincam, há os momentos para tomar um café/chá e falar "sobre o nada"... Nada de um lugar de gente fria que mal fala "bom dia" e "até amanhã", como muitos possam achar.

O que realmente mudou o meu ânimo foi a visita de poucas horas que fiz ao centro de Londres. Foi onde vi muitas pessoas, muitos pontos turisticos, pude visitar alguns museus (todos excelentes e de graça)... Muitas coisas impressionam, mas uma curiosidade interessante para nós é o fato de vc encontrar uma quantidade GIGANTE de brasileiros na Rua. Mas como vc sabe q são brasileiros, Ed ? Pq eles estavam conversando em português, e quando se está fora do país se reconhece sua lingua-mãe com uma facilidade imensa ! (risos)

Sendo assim, confirmei que definitivamente não sou um cara de cidade pequena. Ahh, acho q não comentei que até agora fiquei em um hotel em Slough, né ? Slough é uma cidade predominantemente industrial/comercial (muitas grandes empresas) a oeste de Londres (coisa de 20 Km de "Central London", o que significa 10-20 min de viagem de trem). Slough também é conhecida como um dos maiores destinos escolhidos por Paquistaneses, Indianos, Muçulmanos em geral e Poloneses para morar. Por conta dessas e outras características, Slough é contra-indicado por 10 em cada 10 ingleses como lugar para viver. Depois de Slough, vou ficar por 1 mes em Maidenhead (na casa de um amigo), uma cidade pequena mas considerada de alta renda, a uns 10 km a oeste de Slough.

Pois bem... Slough realmente não precisa comentar : é o cocô do cavalo do bandido para todo britânico, exemplo de cidade ruim para eles. Confirmei isso em um programa q passou na BBC e falava justamente em como a cidade está sofrendo com a imigração ilegal que rola por aqui. Um colega meu falou "então é uma São Gonçalo ou uma baixada fluminense de UK". heheehehe Definitivamente não... ainda é muito melhor q São Gonçalo, Nova Iguaçu e afins. É ruim para os padrões daqui... e ponto.

Já Maidenhead é uma cidade muito bonita, próxima do trabalho e ainda assim próxima de Londres (isso pq aqui vc viaja de uma cidade a outra de trem com a facilidade de quem pega metrô entre Siqueira Campos e Carioca). Mas por ser pequena (30mil habitantes, acho) eu acho horrível andar na rua às 7 da tarde e não ver praticamente ninguém !

Resumindo as impressões das primeiras semanas :

- Ingles não é todo fechadão;
- Aliás, quem é inglês por aqui ? É tanta gente do mundo todo, são tantas raças, tantas cores que te desafio a identificar no olhar quem é cidadão e quem não é ! Sabe aquele cara barbudo usando turbante ali na esquina ? Pode ser um cidadão britânico, que nasceu aqui e falando ingles perfeito !
- O sistema de trem é muito bom mesmo. Um pouco caro, mas funciona perfeitamente;
- Saber ANTES DE SAIR DE CASA qual o exato minuto em que seu trem ou seu ônibus vai passar é excelente;
- o metro de Londres (Underground ou "Tube" para os mais intimos) é excelente também. Embora fique lotado na hora do rush (ainda não peguei, pq não preciso usá-lo neste horário), a capilaridade e a velocidade de uma estação a outra é muito boa na minha opinião.
- É outra qualidade de vida ! Demorei um tempão para perder a neura carioca de achar que todo mundo é um assaltante em potencial. Enquanto no Rio eu faria de tudo para nem parar no sinal vermelho (e se parasse seria de vidros fechados e com insulfilm), aqui tem gente parando no sinal com Mercedes conversível e capota aberta.
- O clima é diferente, mas eu esperava algo muito pior. Esperava nem ver o sol direito, mesmo no verão. Para vcs verem... espectativa é tudo ! (risos) Mas eu SEI que vai ficar muito pior, nem que seja no inverno.
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Capítulo 1 - desembarcando em Heathrow

Cheguei... mas peraí ? Estou no país certo ?

O fato é que o primeiro dia em solo real é de sol e até um "certo" calor. Rapidamente percebo que cheguei trazendo um pouco do sol do Rio de Janeiro, pois os dias anteriores foram de fortes chuvas e inundações pela Inglaterra. Vi em algum noticiário na TV que foi o maior volume de chuvas desde algum momento no século 19, quando começaram a fazer essa estatística. "It's the climate change" eles dizem...

A viagem foi tranquila e, embora dure umas 13 horas, passa rápido. Sem atrasos e sem maiores problemas. O controle de imigração também foi bastante tranquilo, confirmando a minha impressão desde o inicio : se vc é um imigrante qualificado e fez tudo o que precisava fazer (tem work permit, um emprego de qualidade em uma grande empresa e pegou o visto na embaixada), o Reino Unido fica até feliz em te receber.

Fora isso, o impacto da primeira semana é forte : novo trabalho, sem casa, longe da familia, outras pessoas, outro idioma... pelo menos o clima estava ajudando. É cansativo só de pensar na quantidade de coisas que preciso fazer para um dia me sentir em casa...
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