sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Devo não nego, pago na próxima geração

O governo britânico anunciou recentemente um forte aumento de gastos públicos pra conter a crise, incluindo corte de impostos. A oposição reclamou desesperadamente. A mídia e as pessoas se mostraram extremamente preocupadas com o futuro. Afinal, é muito simples: queda de impostos significa que o governo arrecada menos agora. Sendo assim, no futuro o governo precisará compensar isso, com aumento forte de impostos. Ou então, com redução de gastos em outras áreas do governo, o que não parece ser o caso no momento.

Isso me lembra que aqui existe uma visão muito clara de quem paga por qualquer gasto do governo somos nós, os contribuintes (taxpayers). Discute-se isso em cima de todo e qualquer anúncio do governo. Seja construir uma ponte, seja dar curso "gratuito" de inglês pra imigrantes, seja dar mais dinheiro para as famílias pobres (bolsa-família da vida), seja aumentar salário dos servidores... em todos os casos há sempre uma discussão imensa sobre o quanto isso é realmente necessário e quanto isso vai custar ao taxpayer.

Interessante...

Todo o mundo - literalmente - reclamou do governo britânico nessa. Gastar mais dinheiro durante uma crise, que seria momento de economizar? Muitos governos do mundo ridicularizando o primeiro-ministro Gordon Brown.
Mas hoje anunciaram que a Europa toda vai fazer o mesmo (leia aqui).

Muito interessante...

...porque tava todo o mundo dizendo que Gordon Brown era maluco, mas estando certo ou errado, o fato é que que realmente está liderando o mundo no momento. Enquanto o Bush baba na gravata como sempre e Obama não tem poder ainda.

Hoje o governo brasileiro fez basicamente a mesma coisa: redução de receita do governo por meio da diminuição de impostos (leia aqui). Estou de longe, mas até agora lendo nos jornais só vi gente comemorando que as pessoas e empresas vão pagar menos impostos. Ninguém até agora pensou que isso vai ter que ser compensado, ou com aumento de impostos no futuro ou com redução dos gastos do governo. Reduzir gastos o Lula não fez (distribuiu aumento de salário pro funcionalismo e outras coisas) e parece que não pretende fazer. Acho que o Brasileiro não tem mesmo mesma visão de que o contribuinte é o "dono" do governo.

Mais interessante ainda...

Em Setembro o Lula dizia que crise não afetaria o Brasil e que era só marola. Em Outubro estava evidente que a crise afeta o Brasil, mas ele disse que NUNCA faria pacote contra a crise (leia aqui). Ora bolas! As medidas conjuntas de hoje - 2 meses depois - de redução de vários impostos ao mesmo tempo (IOF, IPI, IRPF...) mais outras medidas que já vieram e virão (do governo e do BC) seria o que então, cara pálida? O mundo está fazendo o mesmo e chama de "pacote pra conter a crise".

Mais interessante de tudo...

Lula tem 70% de aprovação dos brasileiros. Oras, pra mim um líder que diz uma coisa um dia e se contradiz absurdamente no outro em um momento tão importante me dá motivos suficientes de não confiar em sua competência, e portanto não aprová-lo (ou no mínimo não endeusá-lo).

Ou será que não só não temos memória (pra lembrar do companheiro Dirceu e do mensalão) nem planejamento futuro (o conceito do "taxpayer"), como também não enxergamos nem o que acontece no presente?

A gente não pode deixar o medo de a oposição ser pior influenciar nosso conceito real de qualidade. Só porque antes éramos cachorro magrelo de rua passando frio e fome não significa que o mendigo bêbado, que nos deu um caixote pra dormir e migalhas de pão mofado pra comer, seja um excelente dono!

Até digo que a equipe do governo tem gente que sabe do que está falando. Mas Lula pra mim passa a mesma (falta de) confiança que o Bush. Com a diferença que ele pelo menos não arranja guerra do nada...

PS: Falando em guerra, esqueci de comentar no post anterior: reportagem no Rio de Janeiro mostra que há 1 tiroteiro a cada 2 dias na cidade. E em média tem quase 1 pessoa tomando tiro por dia na cidade (150 mortos e 163 feridos = 313 vitimas em um ano de 365 dias). Enquanto isso, começaram a implantar o esquema de aluguel de bicicleta baseadas na de Paris (que eu havia comentado aqui no blog).

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Crise, redução de impostos, Baby P e outras noticias...

Lembrei outro dia que nunca comentei noticias aqui no blog. Às vezes acho que isso tornaria o blog meio jornalístico demais, e eu não sou jornalista. Mas por outro lado acho que algumas noticias são interessantes de se comentar porque revelam um pouco dos costumes, preocupações e problemas específicos do país. Sendo assim, vamos a alguns headlines:


Contra a crise mundial: Redução de impostos

Devido à crise mundial, o governo britânico resolveu comprometer grande parte do orçamento do próximo ano fiscal com medidas pra reduzir ao máximo o impacto da recessão que está batendo à porta. Isso vai aumentas fortemente os gastos do governo e gerar endividamento recorde, fazendo com que o governo só volte a pegar empréstimo somente pra investir lá pra 2015/16 de acordo com previsões do próprio secretário do tesouro. Pro governo, é a coisa correta a se fazer em um momento "extraordinário" como esse. Para a oposição, é uma grande aposta arriscada, um gamble, e todos nós teremos que pagar isso no futuro, com aumento de impostos mais adiante.

Mas o detalhe que queria comentar é que dentre outras coisas, o pacote previu corte do VAT (parecido com o nosso ICMS) de 17.5% para 15% já a partir de 1 de dezembro, para reduzir os preços e estimular o consumo. E não é que agora você dificilmente entra em uma loja sem ver anúncios do tipo "todos os produtos agora com VAT reduzido"! Fiquei impressionado, já que no Brasil a gente sabe que geralmente essas coisas não chegam fácil e diretamente ao consumidor. Agora, se míseros 2.5% de desconto vão fazer diferença mesmo no consumo, aí é outro papo.

Baby P

Baby P (O ' bebê P', logicamente pra não identificar seu nome) é uma das notícias mais comentadas recentemente, tirando a crise mundial. Muito resumidamente, Baby P foi um bebê de 17 meses que morreu vitima de abusos, em um bairro na zona norte de Londres. Tudo indica que os abusos foram cometidos pela mãe e pelo namorado da mãe, o que já seria suficiente para o caso aparecer nos jornais daqui. Mas o que chamou atenção do país foi que a familia já tinha acompanhamento já que fazia parte de programas sociais do governo. O problema portanto foi que Baby P foi visitado mais de 60 vezes por profissionais da área social e da saúde e ninguém identificou que ele estava sendo vítima de abusos. O caso então ganhou importância nacionalmente e isso foi considerado inaceitável. Várias investigações estão sendo feitas e está gerando todo um replanejamento dos programas sociais. Saiba mais Aqui.

Fim do happy hour contra a violência

Com a crise mundial os bares e pubs do país resolveram dar novas promoções e descontos para estimular os clientes. Uma delas é a já conhecida "happy hour", onde você paga uma bebida mas bebe duas.
Por outro lado, estatísticas mostram que 40% dos crimes de violência do país estão relacionados à bebida alcoólica.
Sendo assim, o governo do Sr. Brown está considerando que bebida mais barata nos bares (e mesmo nos supermercados) é inaceitável - dizendo até que é uma atitude irresponsável por parte dos bares - e está estudando várias medidas, incluindo proibir a happy hour nos pubs. Algumas medidas já foram colocadas em prática, como aumentar a multa pra quem for pego por estar doidão e desordeiro na rua (de 500 para 2500 libras). Vai dar muito o que falar ainda...

O caso Jonathan Ross e Russell Brand

Esse já é um caso um pouco mais velho (mais de um mês), mas merece comentário. Jonathan Ross é um apresentador de talk show tipo Jô Soares, Jay Leno, Letterman... Com a diferença de que o programa dele só existe 1 vez por semana. Russell Brand é um apresentador/comediante/colunista do qual conheço pouco, mas é uma figura conhecida (cara de maluco por sinal!).
Acontece que Russell Brand tinha também um programa de rádio na BBC, e convidou o Jonathan Ross como convidado especial. Neste programa, eles ligaram para um ator (Andrew Sachs), basicamente pra entrevistá-lo e brincar com ele. Mas o ator não estava em casa e eles resolveram deixar recado. Aí que erraram na dose: deixaram recado fazendo palhaçada, falando algumas besteiras (principalmente relacionadas à neta do ator, que é uma celebridade conhecida também). Durante o próprio programa eles viram que foi meio exagerado e ligaram de novo, deixaram outro recado se desculpando e tal... tudo isso em tom de brincadeira.
Mas não é que a coisa saiu de controle? Milhares ouvintes mandaram mensagens para a BBC reclamando que tudo foi de mau gosto e a coisa começou a escalar. Resultado: os programas na BBC de ambos (Jonathan e Russell) foram suspensos, Russell acabou pedindo demissão e 2 executivos da BBC - que deram o OK pra que o programa fosse transmitido na rádio - foram mandados embora também. Daí que fiquei curioso e fui lá ouvir o tal "trote". Sinceramente, não achei nada de mais pra gerar esse problema todo. Fiquei pensando depois nas maluquices do Casseta & Planeta e do Pânico e putz, achei que seria mais ou menos o mesmo nível. E também acho que isso só aconteceu porque era na BBC, porque se fosse em outra TV comercial daqui mesmo, acho que nada aconteceria. Pra quem não sabe, a BBC é do governo e é mantida com impostos. Aliás, um imposto muito específico: o TV Licence, que todo o mundo que tem TV aqui tem que pagar anualmente. Ou seja, foi o clássico caso de os verdadeiros donos (a população) meterem o nariz na programação.

Enfim, interessante... Só que enquanto isso, sinto falta do programa de entrevistas do Ross, que eu não via sempre mas é até bem legal!

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Vivendo em comunidade

Nós brasileiros estamos sempre enchendo a boca pra dizer que somos o povo mais sociável, amigo e emissor de calor humano do mundo. Mas a dolorosa verdade é que com exceção de determinados eventos geralmente ligados à diversão (choppinho de sexta, futebol semanal, show de pagode/funk/axé/mpb/rock na praia...) temos grandes dificuldades em nos organizarmos em grupo e em sociedade.


E nem estou aqui falando somente de ações que partem dos governo e que custam rios de dinheiro. Falo de iniciativas que muitas vezes partem de gente comum e que depois de um tempo acaba virando tradição. Algumas coisas que vejo por aqui e que desconheço da existência no Brasil (mas não vejo motivo para não ter!):

  • Playgroups: são grupos onde basicamente há uma reunião semanal com pais (ok...tipicamente mães) e suas crianças do bairro/da cidade. Crianças que vão desde bebezinhos de colo até uns 3-4 anos (justamente antes da idade escolar). Ou seja, reúne-se em um espaço qualquer (geralmente público como igreja, escola, biblioteca...) e as crianças se encontram pra brincar. O espaço geralmente tem brinquedos e também é comum que os organizadores criem brincadeiras (como cantar e dançar) para os pequenos. Enquanto isso os pais supervisionam mas também aproveitam pra socializar, comendo um lanchinho com café ou chá.
  • Neighbourhood Watch: já comentei sobre isso aqui em outro post sobre segurança. Mas basicamente é uma parceria entre a polícia local e pessoas de sua rua ou do seu quarteirão. Alguns vizinhos portanto se encarregam de serem o ponto de contato entre policia e os moradores, de forma a alertar sobre crimes que estejam acontecendo recentemente ou simplesmente trabalhar em conjunto na prevenção. Coisa básica por exemplo seriam os vizinhos ficarem de olho em sua casa enquanto você está fora em viagem. Coisas bobas do tipo não deixar acumular cartas na porta e ficar atento à pessoas desconhecidas rondando a propriedade já significam redução grande da possibilidade de a vizinhança ser vítima.
  • Mães fazendo exercícios juntas com carrinho de bebê: Essa foi uma coisa curiosa que Leticia viu outro dia. Um grupo de mães caminhando juntas pelo parque (como forma de exercício), todas empurrando os carrinhos de criança. Como eu já imaginava, não é uma coisa isolada: existem grupos organizados como o "walks with buggies" para auxiliar nisso.
E vocês: Já viram dessas coisas por aí?
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Imigrante de memória curta

Quando ouço ou leio por aí brasileiros (e outras nacionalidades também) reclamando sem parar da terra em que resolveram morar - na maioria das vezes por vontade própria - fico confuso. Se veio porque quis e tudo é tão ruim assim, porque não voltar? Pensei, refleti e acho que é mais ou menos assim:


Reclamamos do clima "horrível", do frio lá fora
Só que aqui dentro está quentinho: todo o mundo tem aquecedor
Esquecemos que por lá ar condicionado na casa toda é impossível de caro
Reclamávamos do "insuportável" calor

Reclamamos que a comida é "péssima"
Mas esquecemos que aqui come-se salmão e bacalhau até passar mal
e que lá isso é "pra rico"
e só no Natal

Reclamamos que aqui não tem praia por perto
mas esquecemos que por lá quem vai todo dia é a minoria
que vive de frente pro mar

que a maioria só vai a praia em feriado prolongado
e olhe lá

vai pra região dos lagos e portanto, tem viajar

Reclamamos que aqui não tem calor humano
Que é "tranquilo demais", ninguém faz barulho, ninguém nos chama de irmão
Mas esquecemos que lá o funk não nos deixa dormir
Isso quando o FDP lá fora não solta fogos (ou tiros) gritando: "Timão"!

Reclamamos que restaurante em geral é caro...
Mas esquecemos que muitos amigos são garçom ou cozinheiro
Que aqui eles não ganham salário de fome
E que isso naturalmente tem que vir do nosso dinheiro

Reclamamos que aqui também tem alguma violência, é lógico
Mas esquecemos que aqui todo o mundo para no sinal
que avenida congestionada por lá pode não ser nada
Mas tiroteio é causa tão comum que virou coisa normal

Reclamamos que "aqui tudo fecha cedo"
Mas esquecemos que pra loja funcionar 24horas é preciso alguém
que tem que passar a madrugada de domingo longe de casa
só pra loja estar lá disponível... muitas vezes pra ninguém

Reclamamos que tudo é diferente, tudo é "horrível"
Viemos pra cá porque queríamos, mas "bom mesmo é o Brasil"
Mas esquecemos que a solução é simples:
voar de volta pra pátria que nos pariu!

Confuso é ver muita gente partir
e chegando lá sentir saudades daqui

E depois de um tempo reclamando de lá
Ficar pra sempre pensando em vir pra cá...

Agora que está escrito, tentemos não mais esquecer. E putz, reclamar sem fazer nada pra quê? Aproveite! seja onde for...

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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Carteira de Motorista - parte II (FINAL)

Continuando o tópico da semana passada, falarei aqui sobre como funciona o exame prático para tirar a carteira de motorista britânica.



Prova prática

O básico segue a mesma idéia do Brasil (e provavelmente do mundo): após passar na prova teórica e praticar bastante você marca o exame prático. Nessa prova você irá portanto dirigir com um examinador ao lado, que irá definir se você está apto ou não a dirigir. Mas as semelhanças com a prova brasileira param por aí, no básico.


No Brasil a gente faz a prova seguindo um trajeto relativamente pequeno, geralmente em lugar afastado e separado especificamente para ser circuito de prova. Circuito esse que todos já conhecem e que teu instrutor certamente te levará para "praticar" - ou seria decorar - para a prova.

Aqui no Reino Unido, a gente faz a prova pelas ruas da cidade*, com todo o trânsito, os pedestres, obstáculos, nuances e motoristas bons e ruins. O circuito em si até é divulgado, mas como rola pela cidade inteira* e há mais de 30 caminhos diferentes possíveis, é bem improvável que alguém memorize tudo. E a prova em si dura cerca de 20 min. Sim, são 20 min dirigindo com o avaliador no banco do carona, acompanhando todos os seus movimentos. Mas espere: o teste em si não começa com você sentando no carro e dirigindo não!! Depois de chegar no local apropriado e verificar documentos, o avaliador vai te chamar e o processo é o seguinte:

teste de visão (eyesight test)

Esse teste é simples. O examinador vai te pedir para ler uma placa de carro a determinada distância. Se você não conseguir ler... bom, o teste nem continua!

Perguntas básicas de segurança do veículo

Também conhecida como show me/tell me (mostre-me, diga-me). O avaliador te faz duas perguntas nas quais você terá que dizer como verificar determinada coisa ou simplesmente mostrá-lo como verificar. Perguntas clássicas do teste:
  • Como verificar se os freios estão funcionando corretamente?
  • Mostre onde fica o reservatório de água do limpador de pára-brisas (ou talvez do radiador) e como verificar se está em nível adequado?
  • Como identificar que sua direção hidráulica pode não estar funcionando corretamente?
  • Me mostre como verificar o nível de óleo?
  • E o fluido de freio?
  • Como você liga o farol de neblina traseiro nesse carro?
  • Como verificar que a buzina está funcionando? (bom... essa tem que saber! hehe)

  • São perguntas básicas, mas tenho certeza que no Brasil muito motorista não saberia responder algumas delas. Muita gente deve pensar: óleo? água? deixa o frentista verificar!! (pois é... aqui não tem frentista no posto!)

    A prova em si

    Finalmente é hora de dirigir e mostrar pro cara que você sabe dirigir (vim da terra do Ayrton Senna doutor!!). O teste pode ser feito em carro de passeio (com a placa "L" como falei no post anterior!) ou de auto-escola. Durante o trajeto você pode cometer até 15 falhas pequenas, mas se cometer uma grande, já era. Logicamente que pra quem está aprendendo a dirigir, cometer 15 falhas durante os 20 min de trajeto é fácil-fácil. No meio do trajeto, além de dizer pra onde ir o examinador interromperá o "passeio" pra pedir pra fazer dois exercícios que serão escolhidos entre os abaixo:
    • estacionar de ré: sem baliza e em estacionamento/rua de verdade!!
    • dar ré em uma esquina: esse pode ser sacana! (vejam figura abaixo)
    • mudar de direção/dar a volta em uma rua: aquela coisa de virar o volante, atravessar o carro na rua, dar ré virando o volante e continuar no sentido oposto.


    Além disso pode acontecer de ele pedir pra fazer uma parada de emergência (emergency stop exercise), que nada mais é do que ele pedir pra você freiar "da forma mais rápida e ao mesmo tempo mais segura possível". E de tempos em tempos ele pede pra você parar "em local adequado", só pra ver você usando as setas e retrovisores pra parar e depois arrancar com o carro de novo.

    Durante o trajeto o avaliador vai anotando os erros, que pode ser de tudo: esquecer de dar a seta, não olhar no "ponto cego" antes de virar, não usar o freio de mão ao parar no sinal, não entrar no roundabout na pista certa, acertar um pouco a calçada no teste de "dar ré na esquina", etc, etc... A lista é infinita!

    No final se você errou menos do que 15 vezes, está aprovado!

    OBS: Estatisticas dizem que só 42% passam de primeira no teste prático.

    Get ready and good luck!

    *lembrando que vivo fora de Londres, em cidades pequenas e médias. Rodar "pela cidade inteira" na verdade equivale a rodar uns 15-20km dentro de uma "grande Tijuca" ou algo do tipo "Barra + Recreio", pra quem é carioca... Isso por ruas principais e pequenas/residenciais.


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    domingo, 12 de outubro de 2008

    Carteira de motorista - parte I

    Já falei na experiência em si de dirigir na mão inglesa mas ainda não falei como que é o processo pra tirar a carteira de habilitação. Antes que perguntem, respondo: Sim, é possível dirigir com a carteira brasileira (ou melhor, com carteira internacional) mas isso só é valido por 1 ano desde a data em que você virou residente no Reino Unido. Além disso, por não ter carteira britânica você paga um valor absurdamente maior no seguro do carro. Então no médio/longo prazo não compensaria mesmo.
    Não dá pra dizer que tirar carteira aqui seja muito diferente do Brasil. A base é a mesma: prova teórica e prova prática. Mas a coisa começa a ficar diferente já com um conceito básico: a carteira provisória (provisional driving licence). No Brasil a gente passa em todas as provas e recebe a carteira provisória, válida por 1 ano. Aqui você tira a carteira provisória ANTES de começar a dirigir e até mesmo fazer aulas.


    Explico. O futuro motorista deve ir no site do DVLA (o detran daqui) preencher formulários, pagar taxa, enviar documentação pelo correio (se for o caso) e esperar por sua carteira provisória chegar pelos correios. Com a carteira provisória em mãos é que você pode marcar a prova teórica. Mas pra que então ter uma carteira - ainda que provisória - se o cara não pode dirigir? Calma. Assim como grande parte das coisas por aqui, isso faz sentido.

    Com a carteira provisória você já pode dirigir sim. Mas com restrições. A primeira é que você precisa ter alguém com carteira "permanente" (full driving licence) por mais de 3 anos no banco do carona pra te supervisionar. Além disso, você não pode dirigir em motorways e precisa colar a L plate (L de learner/aprendiz) no carro. O interessante dsso é que você pode aprender com seu pai/mãe, irmão/irmã, amigo/amiga de forma completamente legal e sem precisar gastar demais com auto-escola.

    Prova teórica

    A prova teórica em si não tem nada de muito diferente da do Brasil, então quem já dirige não deve ter grandes dificuldades. A idéia básica é sempre a de evitar acidentes, indicar corretamente o que você vai fazer e respeitar os outros no trânsito, principalmente ciclistas e pedestres. É importante aprender como usar os roundabouts corretamente assim como entender os vários tipos de faixa de pedestre. Em algumas você para no sinal mas em outras não há sinal e é obrigatório parar se tiver pedestres na calçada esperando para atravessar. O básico de mecânica, de como um carro funciona, de como mantê-lo e de como identificar um problema (ex: se o carro puxa para os lados, qual pode ser o problema?) também é fundamental e - que eu lembre - não é muito importante nas provas do Brasil.

    Uma coisa adicional muito interessante é o chamado HPT - Hazard Perception Test ("teste de percepção de perigo" em tradução livre). Após terminar a primeira parte da prova teórica (que é multipla escolha e geralmente feita em um computador), você continua na frente do PC, coloca um headphone e se prepara para um pouco de "video game".

    Nesse teste você assiste a uma série de videos com situações do dia-a-dia sob o ponto de vista do motorista. Exemplos de situações:

  • motorista dirigindo em ruas residenciais e de repente uma criança ameaça atravessar a rua;
  • motorista dirigindo e lá no final da rua você vê um caminhão manobrando;
  • o motociclista a sua frente pode ter que parar bruscamente por conta de uma fechada do carro da frente
  • dirigindo debaixo de chuva (ou neve) e o carro lá na frente (a 3-4 carros de você) tem algum tipo de obstrução e vai provavelmente ter que freiar
  • etc,etc...

  • O objetivo do teste é você clicar com o mouse toda vez que perceber uma situação de perigo em que o motorista (você) deve reagir ou no mínimo ficar atento. Quanto mais cedo perceber a situação, melhor será a pontuação.

    Na próxima edição falarei da prova prática... aguardem!

    (to be continued)
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    domingo, 5 de outubro de 2008

    Com que carro eu vou?

    Ainda que em Londres e outras grandes cidades o transporte público seja abrangente e portanto poucos andem de carro, por grande parte do resto do Reino Unido o velho e bom automóvel é o transporte principal de muitos. A maior parte das residências possuem um ou mais carros aqui no Sudeste da Inglaterra.


    Muitos me perguntam portanto qual seria o carro mais popular no Reino Unido, certamente esperando uma resposta clara e direta. De fato, no Brasil essa é uma resposta relativamente fácil. Os carros que mais se encontra na rua seriam o Palio, o Gol, o Corsa, o Celta., o Fiesta... e suas variações "sedan".



    No Brasil se você reparar em um congestionamento ou em um estacionamento de shopping é muito fácil identificar os carros mais vendidos. Nada mais fácil do que ver 3 ou 4 Palios/Gols estacionados um ao lado do outro, possivelmente da mesma cor (prata ou cinza!!). Boring, como diriam os coroas do Top Gear (programa de TV britânico sobre carros... aparentemente o mais famoso do mundo).


    Mas aqui não é assim tão simples. Primeiro vale lembrar que Palio e Gol não existem na Europa. O carro mais básico da Volks tem sido por décadas o Polo. O carro mais básico da Fiat e considerado um "supermini" é o Punto, que está no mercado desde o inicio dos anos 90. No Brasil ele entrou meio com cara de carro de categoria superior pelo que entendi. E cabe dizer que a Fiat no Reino Unido tem uma aceitação muito pequena, com poucos carros rodando, se comparado aos outros fabricantes europeus.

    Como a gente sabe, até não muito tempo atrás o Brasil produzia somente carros de 4 montadoras (Fiat/VW/GM/Ford) e só recentemente que algumas outras européias (Peugeot, Renaut, Citroen...) e as japonesas (destaque pra Honda e Toyota) conseguiram sua fatia de mercado brasileiro. Por aqui todas essas concorrem faz muito tempo, somadas às que no Brasil são pra poucos ou só chegam importadas como Mercedes, BMW, Aston Martin, Jaguar, Porsche, Bugati, Maserati, Volvo... putz, a lista é gigante.

    Com tantas opções é muito difícil portanto definir um modelo - ou mesmo uma marca - mais popular. Soma-se a isso o fato de que os preços são muito mais acessíveis, principalmente de carros usados (a desvalorização de um carro novo é muito rápida). Exemplos: um Fiat Punto zero km custa a partir de 10mil libras. Com 1 ano de uso ele cai fácil pra 6-7mil. Com 2 anos de uso você compra esse carro por 3-5 mil (já caiu mais de 50%!). Acabei de ver aqui um Punto 2001 (e portanto 7 anos de uso) modelo velho completaço por 750 libras (2700 reais, com libra a R$3,60). Considerando que o salário mínimo bruto gira em torno de 800 libras/mês pra quem trabalha periodo integral, tem-se uma idéia de como é acessível. Ou seja, 10000 libras um Punto 0km aqui custa mais ou menos 10 vezes o salário mínimo. No Brasil Punto 0km custa R$40.000 - o preço tá até parecido, o que já é uma evolução - mas é 100 vezes o salário mínimo (de +- 400 reais).

    Pois bem... pra saber quais carros são os mais populares aqui é preciso tentar definir algumas categorias. Lá vai a minha separação meio no feeling, com muitos links pra fotos dos carros, para que vocês dêem uma olhada. É só clicar!

    - Profissional com alguma grana pra gastar com carro novo ou semi-novo >> vários desses trabalham em escritório e têm carro da empresa (company car) ou recebem um dinheiro da empresa pra manter o próprio carro (car allowance), coisa relativamente comum por aqui. Se é company car, então é bem provável que seja um sedan médio como o BMW 3-series . Se o cara recebe o dinheiro da empresa, então tem muita escolha porque gasta como quiser. Entre os compactos e médios tem o Honda Civic (hatch ou sedan híbrido) ou Honda Accord, tem o Ford Mondeo (clássico e bem popular), tem os Audis A3 e A4, tem os Mercedes... Se tiver um gosto digamos, meio EUA meio Barra da Tijuca, vai de SUV (Honda CRV, Porsche Cayenne, Mercedes M-Class e Nissan Qashqai são típicos). Ainda que um SUV aqui seja um trambolho gigante que não cabe nas ruas apertadas do país.

    - Pessoas com salários mais baixos e estudantes > esses em geral ou só precisa do carro pra pequenas viagens ou só pra ir e vir curtas distâncias. Carro usado e antigo geralmente cai como uma luva porque é muito barato e dependendo da marca ainda é confiável. E aí depende do quanto ele/ela quer ou pode gastar. Se é realmente só pra "ir ali e voltar", praticamente qualquer carro serve. E aí que você encontra desde carros simples e funcionais conhecidos como um Ford Ka, um Polo/Golf/Clio/Punto/Corsa antigo ou um BMW qualquer mais velhinho (que tal um 520i quadradão, ano 1995 por menos de 700 libras?) até carros que você nem reconhece de primeira.

    - profissionais no meio do caminho > São aqueles que recebem ou não o auxilio da empresa, não querem (ou não podem) gastar muito com carro e/ou simplesmente consideram que carro é meio de transporte e nada mais. Se é hatch, Ford Focus, Clio, Citroen C3 ou um Astra (que no Brasil virou Vectra GT) são comuns. Se quiser gastar um pouquinho mais, vai de VW Passat semi-novo ou o clássico Ford Mondeo também. Esse Astra aliás é o carro atual da polícia "normal". Sim, porque também existe uma policia especial de inteligência, que entre outras coisas high-tech, tem uma série de carros mais potentes - tipo Subaro Impreza ou Mitsubishi Evo - pra perseguir os criminosos.

    - Carro é mais que transporte, é estilo de vida > Ahhhh... Mas pra quem gosta de carros mesmo, as opções são muitas. Muitos coupés por aí, muitos conversíveis, muitos carros um pouco ou muito luxuosos. Pode ser conversível de carro simples tipo Vauxhall* Tigra (que é um Corsa cc ) ou Peugeot 207 cc. Ou quem sabe algo mais elaborado (BMW 3-series convertible ou Mercedes SLK 350). E não tem idade, sexo ou raça. É normal ver mulher nos seus poucos 20-30 anos sozinha em um SLK 350 ou uma/um coroa próximo dos 60 aproveitando o sol de conversível. Ahh sim! Falando em mulheres, o Mini Cooper também é sucesso de vendas, principalmente entre elas.

    E repare que em momento algum falei de quem tem muita grana e pode comprar absurdos como Porsches 911 ou Ferraris novas! Aí é outro papo...

    Tudo depende do seu perfil, de quanto quer pagar e da idade do carro que você quer. Se teu orçamento está em torno de 10 mil libras (cerca de R$36.000), você pode pegar um Lotus Elise 2002 todo esportivo, um Honda Civic semi-novo ou um simples Ford Fiesta ou Fiat Punto zerado. It's up to you!

    * Vauxhall aqui é a GM. E sim, no resto da Europa também tem outro nome: Opel.

    Foto1: Congestionamento em uma motorway
    Foto2: Típico estacionamento brasileiro, cheio de Palios e afins
    Foto3: Mercedes SL
    Foto4: Algum lançamento da Jaguar

    PS: Isso que escrevi é antes do credit crunch e da crise financeira mundial. Depois disso saber como o mercado será no futuro só com bola de cristal.

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    Filme ou Video-game?

    Nos meus tempos de escola eu era muito viciado em video-games. Só que já fazem muitos anos desde que joguei de fato um game do inicio ao fim (parei lá nos tempos do Super Nintendo). De vez em quando olho um ou outro, jogo um pouquinho na casa de amigos, mas ainda tenho a impressão de que se comprar um console atual não terei tempo de jogar. Ou pior, o inverso: vou ficar jogando tanto que não terei tempo para as outras coisas da vida...

    Mas o que eu quero comentar nesse post é sobre como os jogos atuais evoluiram nos gráficos e técnicas pra se aproximar dos filmes. Além do mais, os consoles são até bastante acessíveis em termos de preço, ao menos aqui no hemisfério norte.


    Pois bem. Os jogos estão tão populares e tão próximos dos filmes que tá cheio de comercial na TV com cara de trailer de cinema. No início chega a confundir se você não estiver prestando muito atenção. Deixo pra vocês alguns exemplos que encontrei no youtube:

    Propaganda do Incrível Hulk - o video game:



    Propaganda do Grand Theft Auto IV:



    Propaganda do LOST video-game:



    E o nosso glorioso Mortal Kombat (que se vcs repararem é velho... é pro PS2!):




    E no Brasil, tem essa tendência também?


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    quinta-feira, 25 de setembro de 2008

    A Polícia e a comunidade

    A uns dias atrás recebi em casa pelo correio - sem jamais ter solicitado - um documento cujo título é "Berkshire West - Local Policing Summary 08". Esse papel - que tem cara de panfleto, é todo colorido e tem umas 5 folhas - é simplesmente um resumo de do que aconteceu nos últimos 12 meses com relação às ações da polícia na minha área.

    O documento inclui desde coisas com cara de propaganda - chamando atenção pro fato de que determinados crimes foram reduzidos - até os números de gastos e investimentos feitos na polícia. Ou seja, na verdade é a polícia prestando contas para a população, mostrando pra onde foi o dinheiro dos nossos impostos. Como não estou nada acostumado com esse tipo de relação polícia X população, faço questão de colocar aqui para vocês.





    Essa questão de relacionamento com a população e "alguma" transparência na verdade não acontece somente uma vez ao ano, por meio desse papel enviado pelo correio. Se formos no site da "Thames Valey Police", encontraremos muitas coisas interessantes. Exemplos:

    - O documento que recebi em casa está no site em formato PDF;
    - Informações sobre como se previnir contra determinados crimes (sim, porque se vc ainda acha que no mundo desenvolvido não há crime, está vivendo em outro planeta!);
    - Informação sobre eventos, as prioridades, o que acontece na minha área especifica (de não mais que 3Km2) e os nomes e fotos de quem é responsável por ela.

    Além de uma coisa interessante chamada "Neighbourhood Watch Scheme". O programa consiste em diversas coisas mas a idéia básica é unir os moradores de sua rua interessadas no assunto pra que todos ajudem a reduzir a criminalidade. Esses moradores recebem informação direta da polícia sobre prevenção e também "tomam conta" das casas uns dos outros caso um vizinho viaje de férias. Por exemplo, se o vizinho esqueceu de cancelar a assinatura do jornal impresso, ele vai ficar acumulando na porta e pode ser chamariz para ladrão.

    Enquanto isso em Londres... a polícia (que já é outra! A "Metropolitan Police") lançou -debaixo de muitas críticas - o "Crime Map", baseado em iniciativa parecida da polícia de Nova Iorque. Muito basicamente, o Crime Map é o "google maps do crime". Se vc clicar no link vai ver que eles mostram as estatísticas de crime por área (que pode ser na sua quadra) baseada em números do ultimo mês. A idéia de acordo com o governo, é reduzir o "medo de violência". Ou seja, mostrar à população que conforme as estatísticas da ultima década mostram, o crime no país é o menor dos últimos tempos, muito embora as pessoas aparentemente estejam com mais medo. Seria por culpa da TV, da internet e de muita informação? Ou estariam as estatísticas erradas?

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    segunda-feira, 1 de setembro de 2008

    Ohhhh Champs-Élysée...

    O Rafael, um grande amigo meu que a anos atrás também resolveu sair do Rio de Janeiro e morar em uma terra distante (porque Mato Grosso do Sul é quase outro país mesmo! rs) a uns meses me falou que viria com a família visitar a Europa. E aí depois de muito estudar a idéia ele resolveu que faria um roteiro Londres + Paris. Combinamos então que a visita a Paris seria em um fim de semana prolongado (sexta a segunda) e assim eu e minha família também poderíamos ir.


    E que grande idéia! Eu já estava pra ir em Paris faz tempo, e ir com boa compania deixa tudo ainda melhor! E não fosse pelo Rafa, talvez ainda fosse deixar pra outro momento. E olha que Paris é aqui do lado! O Rafa mesmo me perguntou uns dias antes da viagem: "e aí? já preparou as malas?". Minha resposta: "cara, ainda não... é um fim de semana prolongado e é aqui do lado... é que nem carioca indo pra Região dos Lagos, pô!! No máximo pra São Paulo... No big deal!". rsrs

    E realmente a sensação de "fui só até alí" foi ainda maior porque resolvemos ir de trem - o famoso Eurostar - ao invés de avião. E a viagem é sensacional! Só pedem pra você chegar 30 min antes (nada de chegar mais de 1h antes do vôo), não precisa despachar malas, o trem raramente atrasa, não é necessário ficar naquela neura de ficar sentado com os cintos afivelados... Dá até pra se levantar no meio da viagem, andar até o vagão-restaurante, pedir bebidas e um sanduíche e ficar lá de papo-furado. Isso tudo dentro de um trem rápido (195mph=312 Km/h) e com a estranha sensação de no início olhar pela janela e ver os carros andando pela esquerda e placas em inglês... em dado momento você entra em um tunel debaixo d'água (não esqueça que Grã-Bretanha é uma ilha!) e menos de 1h depois do início da viagem, as placas de trânsito lá fora já estão em francês! O tempo médio total de Londres a Paris é de 2h15min... Bem mais do que dentro de um avião (que seria uns 60 min e olhe lá), mas considerando todas as vantagens de não esquentar a cabeça com as chatices dos aeroportos, vale à pena. E o preço é parecido. Sem contar que é uma atração especial. Só de ir de trem a Paris e voltar já teria sido uma experiência nova e excitante mas, perae... ainda tem a cidade-luz pra visitar!!
    Mas também não vou ficar aqui listando todas as atrações de Paris por dois motivos: primeiro porque é o lugar mais visitado do mundo, e informação sobre ela tem à vontade. E depois porque prometi pra mim mesmo que tenho que escrever textos menores aqui. Blog não é livro, pô!(risos)

    Seguem então só algumas curiosidades:

    - Cidade-luz: Realmente a cidade é muito bonita e charmosa, até comparando com outras cidades européias mas nem sei bem o porquê. Talvez porque Paris conseguiu manter muito de sua arquitetura histórica, o que deixa tudo muito bonito. Diferente de Londres mesmo que tem alguns prédios novos entre os históricos e completamente o oposto de Bruxelas, onde você tem que procurar pra achar algo histórico por entre os skyscrapers.

    - Comida1: Comida também é destaque, lógico. Vou citar aqui a Dri que esteve recentemente em Paris e deu a seguinte resposta quando pedi dicas de onde comer: "Em qualquer lugar tem comida boa. Você vai no boteco da esquina e pede um crepe de queijo... aí você pensa, Mozzarela? Não, Camembert!!!!!" rsrsrs

    - Comida2: Mas logicamente depende do seu gosto. Pra começar, o baguete tem casca mais dura e aparentemente é assado por mais tempo. Meio "durango-kid" eu diria. E com carne tem que ficar esperto: se você gosta do "ao ponto" do Brasil é bom pedir bem passado, porque assim vem quase ao ponto! Se não falar nada, é provável receber o ao ponto deles, que na verdade é mal passado. Agora, se você gosta de bem passado no Brasil, nem sei o que você faz... hehe

    - Metrô1: Não teve uma viagem de metrô que eu não tenha lembrado do meu camarada Bruno. Ele viveu em Paris por uns meses e falava que "o metrô de Paris cheira a pum, ao ponto de quando eu entro em um trem que não tem cheiro de nada, sei que será um dia de muita sorte!". Bom, acho que estive com alguma sorte, porque não achei ruim a esse ponto não. Talvez por não ser inverno (então as janelas ficam abertas pra ventilar) ou talvez porque estão finalmente revitalizando o metrô de Paris, botando novos trens e tal. Mas se não achei o trem fedorento, não posso dizer o mesmo das estações. Algumas têm sim um cheirinho que lembra mais o mijo da Central do Brasil do que o croissant fresquinho de uma brasserie...

    - Metrô2: Ainda no metrô, de uma coisa é preciso reclamar: muita escada e quase nenhuma estação com escada rolante ou elevador!! Lamentável pra quem anda com criança ou pra quem está carregando malas comutando pra chegar no aeroporto ou nas estações de trem. Coitados dos deficientes...

    - Metrô3: Mas não vale falar muito mal não porque o metrô de Paris te leva pra tudo quanto é lugar rapidamente e com eficiência. Tomara que com esse projeto de revitalização (que estará concluído em 2010) eles resolvam o problema do cheiro, das escadas e dos trens velhos rabiscados no estilo NYC subway...

    -Trânsito: No Brasil acho que a gente chama de "rotatória" e em Portugal de "rotunda". No Reino Unido roudabouts são peça básica no trânsito e estão em todo lugar. Em Paris também tem só que a regra é diferente: no Reino Unido (e acho que em todo país de lingua inglesa), a regra básica é de que a preferência é de quem já está dentro do roudabout. Quem ainda vai entrar espera uma brecha... Na França quem está entrando não pára e quem já está "rodando" tem que freiar. Putz, acho isso muito louco e quem mora em Paris sabe que tem acidente a toda hora ali no Arc de Triomphe... Fora isso, também achei uns semáforos meio esquisitos. Mandava o pedestre atravessar, mas não havia nada mandando o motorista parar! Arriégua!! Depois o português que é burro, ora pois pois...

    - Bicicletas públicas: Idéia interessante e que o Parisiense está usando mesmo. Em vários cantos da cidade colocaram algo que podemos chamar de "estações" com bicicleta estacionada. Se você quiser usar, é só pagar ali mesmo na máquina com cartão de crédito e o sistema libera uma bike pra você usar. Se o trajeto for só de 30 min, sai de graça. Um passe diário sai por 1 euro ou coisa assim. E a cidade até que tem uma rede boa de ciclovias, então dá mesmo pra usar. Por outro lado, com o trânsito meio esquisito dos roudabouts (como expliquei acima) e com esse monte de francês barbeiro, não sei se eu me meteria a pedalar por grandes vias não...



    - Preços: Mesmo pra quem está sempre em Londres, Paris ainda é carinha pra kcete. Mas fiquei impressionado mesmo com um pequeno detalhe. Em um restaurante pedimos uma meia garrafa de vinho que custou 9 euros e nós 4 adultos ficamos satisfeitos (eu sei, todo o mundo fracote na bebida). Mas também pedimos refrigerante e cada latinha custou quase 5 euros. Dali pra frente ficava comprovado matematicamente que é definitivamente muito melhor beber vinho! :-)

    Vale registrar ainda mais 2 coisas:

    1-o gerente marroquino do restaurante que fomos comer um couscous (recomendado por sinal!) que enquanto saíamos do restaurante, foi agradecendo à todo o mundo, dando beijinho nas crianças e nas menidas e tal... Chegou a minha vez (o último da fila) olhou pra minha cara e perguntou "Vous êtes d'où? Marrocos?". Depois que respondi "Non, nous sommes de Bresil" (até pq essa resposta é uma das poucas coisas que lembro do meu curso básico de francês! hehe) ele saiu gritando "Ronaldinho" pela rua e ficou batendo papo sobre futebol, Pelé e Garrinha com a gente... sempre falando a meio palmo da nossa cara (um "close-talker", como diria o Seinfeld!).

    2-o Rafa botou camisa do Fluminense no filho dele e teve que ouvir as pessoas falando coisas como "vai pra segundona, hein!" nas ruas de Londres... Vir pra Europa pra ser sacaneado, meu chapa?! hehehe

    PS: As fotos estão no flog!

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